Ponto de Vista Profundo ou POV
Ponto de Vista profundo é uma opção relativamente nova (tornou-se popular nos últimos 20-40 anos) e consiste em detalhar certos aspectos e pontos de vista do personagem de modo a aumentar o envolvimento do leitor com a história.
Ah, mas então é isso? Na verdade é a história bem contada, certo?
Sim. Simples assim.
Às vezes pegamos um livro e PUTA QUE PARIU, a gente se envolve com os benditos personagens e não consegue parar de ler nem por reza brava. Achamos que é o enredo (e pode ser); achamos que é o tema legal.
Muitas vezes, é o modo como o escritor te coloca dentro da cabeça do personagem, e quando você vê, está sofrendo como uma louca por  e com ele. O ponto de vista profundo  leva os leitores a mergulharem de cabeça e coração na vida e nos dilemas descritos, permitindo que a história seja vista e sentida por meio das experiências dos personagens. O que esse personagem vê, o leitor vê. O que o personagem sente ou pensa, o leitor sabe.
Tudo bem, legal saber disso.
Mas e aí, tem técnica?
Tem. Vem comigo.
Observe com MUITA atenção as diferenças sutis entre as frases abaixo:
Terceira pessoa
Ele estava perdido, pensou Thomas. Perdido e certo de que alguém o seguia.
Estou perdido, pensou Thomas. Perdido e certo de que alguém está me seguindo.
Terceira pessoa POV profundo
Ele estava perdido. Perdido e certo de que alguém o seguia.
Estou perdido. Alguém o estava seguindo.
** Se você quer que o leitor ENTRE na cabeça de Thomas, por que colocar a palavra pensou?
**E se sabemos no contexto da história que ela é narrada por Thomas, ou que alguém narra a vida e pensamentos de Thomas, por que seria necessário colocar Thomas?
Notem que nas segundas opções, retirar palavras desnecessárias agiliza a frase, te coloca dentro da cabeça da personagem e melhora o ritmo da leitura.
RITMO DE LEITURA É TUDO. Lembrem-se disso. 
Mais exemplos:
Arkin sacudiu a cabeça. Era idiota a forma como Peter destratava seus sogros, disse a si mesmo.
Peter abriu a boca, fingindo dar uma longa risada.
Um idiota, Arkin pensou novamente, afastando-se.
Terceira pessoa POV profundo:
Arkin sacudiu a cabeça. Era idiota o modo como Peter destratava seus sogros.
O babaca abriu a boca, fingindo uma longa risada.
Idiota.
Arkin se afastou.
MUITO mais dinâmico e a gente consegue se colocar na cabeça de Arkin com mais facilidade, né? Sabe qual é o problema do primeiro exemplo do Arkin/Peter? Parece escrita de amador. Parece, na verdade, ESCRITO. O segredo de livros cativantes está no fato de que eles não PARECEM ESCRITOS, e sim contados a você de modo que você nem percebe que está lendo.
Vamos a exemplos em primeira pessoa:
“Minha camisa estava abotoada até a garganta, cortando o ar. O pouco ar que conseguia passar pela gola foi estancado quando ela apertou a gravata, de uma cor vinho borgonha. A reunião com a diretoria da Collin Enterprise, minha empresa, valia tal tortura?
Tirei a gravata nervosamente e enfiei-a no bolso.
Penelope me observava e franzia a testa. Eu concordei em usar as roupas, certo, só não tinha acertado com ela quanto tempo aguentaria usar.”
Antes de  passar para o segundo parágrafo, o do POV profundo, vamos fazer uma brincadeira: Ache no parágrafo acima os 6 erros cometidos na frase.
Depois desça e veja se acertou:
“Minha camisa estava abotoada até a garganta, cortando o ar. O pouco ar que conseguia passar pela gola foi estancado (1) quando ela apertou a gravata, de uma cor vinho borgonha (2). A reunião com a diretoria da Collin Enterprise, minha empresa, valeria tal tortura?(3)
Tirei a gravata nervosamente (4) e enfiei-a no bolso.
Penelope me observava e franzia a testa.(5) Eu concordei em usar as roupas, certo, só não tinha acertado com ela quanto tempo aguentaria usar. (6)
Se você achou os sete erros parabéns! Se não, olha onde eles estão:
Erro #1: VOZ PASSIVA. Evite, certo? Deixe-a apenas quando estritamente necessária. O problema da voz passiva é que ela é passiva, e em leituras queremos EVITAR a passividade. Queremos energia, dinamismo.
Erro #2: No POV  profundo há algumas palavras que um personagem não usaria. Acho estranho um cara falar borgonha. Homens são menos específicos com cores. Ele poderia dizer vinho, mas improvável que dissesse borgonha. Eu não diria borgonha 🙂
Erro #3: Vejo demais isso no Wattpad, e tenho calafrios toda vez. É ALTAMENTE improvável que você se refira em pensamento ao seu irmão e pense nele como ‘meu irmão Marcelino’ (a menos que você tenha uma penca de irmãos e precise ser especifico–mas mesmo assim, em pensamentos sabemos disso, por isso fica estranho) ou se refira à firma onde você trabalha ou pretende trabalhar pelo nome completo. Fica esquisito. Para resolver esse problema, cite seu irmão ou a firma ANTES, para que, quando o pensamento vier, o leitor saiba que é sobre Marcelino que você fala, ou sobre a firma. Não tenha medo que seu leitor não vá entender. Nunca subestime a inteligência deles, ok?
Erro#4: Evite advérbios. Nesse caso, nada de “tirei nervosamente”. Coloque um verbo forte, e nunca mais precisará de advérbios para enfeitar verbos fraquinhos.
ARRANQUEI A GRAVATA e ponto final.
Erro #5: Hmmmm… frase fraca. Duas explicações, duas expressões sem muito poder ou clichê demais. Que tal Penélope tinha duas luas no rosto? Ou Penélope abria e fechava a boca, sem saber o que dizer?
Erro #6: Palavras demais para um pensamento, ou tipo de palavras erradas para um pensamento. Pouco impacto. Muitas palavras curtinhas (Eu, em, usar, as, só, não, com, ela)
Veja como o site http://theeditorsblog.net resolve o impasse dessa frase (com modificações minhas).
Terceira pessoa POV profunda
“Penélope puxou a gola e abotoou o último botão, e, claro, engasguei. O ar parou de entrar, como não engasgaria? Tossi, com raiva, e nesse momento de fraqueza ela apertou o nó da gravata.
Eu precisava me livrar daquela maldita gravata de cor pavorosa, e não interessa se alguém da firma queria me ver enforcado na reunião. Puxei-a, apertando-a mais. Valeu ser brevemente enforcado: a gravata saiu e enfiei-a no bolso.
Dane-se que Penelope estava observando. Concordei em usar o que ela tinha escolhido, certo? Só não concordei com um limite de tempo.”
Acharam melhor? deixem suas opiniões!
Retirado,  traduzido e super modificado de: http://theeditorsblog.net/2011/11/16/deep-pov-whats-so-deep-about-it/

Fluidez da escrita – Parte 1

É difícil especificar o que faz um texto deslizar pelas vistas e fluir enquanto outros parecem uma viagem de jipe por uma estrada de terra desnivelada. É a escolha de palavras? Seu tamanho? Sua complexidade/simplicidade?
Essas dicas foram retiradas de vários lugares ( fonte abaixo) e tratam justamente disso, do que faz um texto fluir bem.
Dica 1. Para seu texto ser bom, é importante que cada linha e parágrafo acrescente algo ao assunto do livro de forma lógica. Um texto sem fluidez volta a partes anteriores, deixa dúvidas, fica dando voltas. Toda frase ou parágrafo deve guiar o leitor para alguma conclusão. Deve guiar a história adiante.
Dica 2. Coesão ou Continuidade: a coesão diz respeito à integração entre frases, parágrafos, capítulos, e tramas do livro que dão, durante a leitura, a impressão de que o autor mantém uma linha narrativa. A continuidade se refere à manutenção da mesma “voz” ou forma narrativa. Um erro muito comum em principiantes é trocar tempos verbais.
Dica 3. Concisão: A concisão se refere à qualidade do texto de ser conciso, não apresentando “pontas soltas” ou divagações que não contribuem para a história como um todo. Também é conciso o texto que evita rodeios e que não peca pelo excesso de detalhes, que acabam impactando o ritmo da leitura.
Dica 4. Clareza: A clareza indica se o texto é ou não facilmente lido. Textos rebuscados, com excesso de palavras eruditas ou excesso de detalhes pecam pela falta de clareza, e causam o que se chama ” quebra mola de leituras”.
Dica 5. Cadência: A cadência, ou ritmo, do texto é resultante da velocidade de leitura sugerida pela fluidez e clareza do texto, e pela organização das tramas e capítulos.
Com essas dicas poderosas aí em cima, vamos passar para dicas mais práticas ( elas foram tiradas de escritores-geniais.wikispaces.com., e estão em português de Portugal.)
Como melhorar a fluidez do seu livro?
1. Escreva frases mais curtas que o teu dedo mindinho. Frases longas demais não funcionam porque a maioria das pessoas chegará ao fim sem se lembrar de como a frase começou. Se pretendes expressar uma ideia, esforça-te para que em primeiro lugar seja bem assimilada. E a única forma de o conseguires é escrevendo com clareza. Outra vantagem de usar frases curtas é não correr o risco de meter água com a gramática e a pontuação. A escrita é um fio de seda nas tuas mãos: pode desenrolar-se com elegância diante dos olhos (e então tudo te parece perfeito) ou embrulhar-se à volta das pernas, fazendo-te cair ao início da tua jornada.
2. Deixa as palavras caras para os ricos. ( adoro esse português de Portugal!) Como a tua intenção é comunicar ideias e não a riqueza do teu vocabulário, o melhor caminho é escrever com simplicidade e ser autêntico. Escolher as palavras certas é como escolher uma peça de roupa. Para quê usar fato e gravata se te sentes melhor com calças de ganga? Escolhe as palavras que quiseres, desde que em nenhum momento essas palavras te façam sentir que não estás a ser igual a ti próprio. Se na preparação do teu texto aprendeste uma palavra cujo significado desconhecias, então partilha essa descoberta com os teus leitores. A tua sinceridade será apreciada, sobretudo porque não usaste o teu vocabulário para fazer poses.
3. Quando escreves, a pontuação é sempre tua. Vírgulas mal colocadas são como barreiras em corridas de obstáculos: quebram-te o ritmo e podem fazer-te tropeçar. A dificuldade que possas ter com a pontuação não é por falta de gramática, é por falta de leitura e sobretudo leitura em voz alta. Só lendo em voz alta mais facilmente te apercebes que a escrita não é diferente da música: a melodia é a ideia que desejas expressar; as palavras, os instrumentos através dos quais expressas a tua ideia. Da combinação desses instrumentos resulta o «arranjo» e a «harmonia» do teu texto. Os sinais de pontuação são os instrumentos de percussão. Assim como os músicos podem tocar de ouvido sem conhecer as pautas, também tu poderás escrever bem sem precisares de enfiar um compêndio de gramática na cabeça. Faz um exercício ao contrário: procura os sinais de pontuação na própria música. Põe a tocar o teu tema preferido (com bateria) e procura associar os sons. Que poderá significar aquele som «splash» do prato de ataque de uma bateria? Um ponto de exclamação? A que atribuirás o som ritmado de um prato de condução suave? Às vírgulas? Se leres muitas vezes em voz alta os teus textos e os dos outros começarás «a ouvir» as vírgulas e a sentir a «respiração» das frases com a mesma naturalidade com que bates o pé quando ouves música.
4. Não tentes «escrever bem». Escrever é um processo de descoberta de ti próprio e dos teus limites. Usar chavões, metáforas ou analogias é um recurso óptimo que enriquece a tua escrita desde que sejam os teus chavões, as tuas metáforas e as tuas analogias. Se te lembras apenas de figuras de linguagem que se lêem todos os dias nos jornais, mais vale apagar e seguires a regra número 1: simplificar a comunicação e ser igual a ti próprio. Não te preocupes: o que tu és agora não é forçosamente o que serás amanhã e se a tua escrita for autêntica, acompanhará essa mudança com tanta naturalidade que os teus leitores notarão a evolução primeiro que tu.
5. Tu tens qualidades, só falta seres capaz de as reconhecer. Melhorar a escrita exige muito trabalho, mas a maior tarefa de todas consiste em remover todos os obstáculos entre o teu pensamento e a folha em branco. Quanto mais te afastares de ti próprio e do que tu és, mais dificuldade terás em obter fluidez na tua escrita. Descobre as tuas próprias qualidades e investe o teu tempo e esforço a desenvolvê-las: não percas tempo a desejar qualidades que reconheces nos outros mas que tu não tens.
6. A escrita não é para preguiçosos. Tudo o resto que possas fazer para melhorar a tua escrita depende da tua capacidade de trabalho. Estuda gramática. Consulta o Prontuário Ortográfico. Instala um corrector ortográfico. Aprende com os erros que dás. Revê os teus textos. Revê-os em voz alta. Quando estiveres cansado e achares que já chega, revê outra vez. Antes de publicares, volta a ler o teu texto em modo Rascunho. Lê. Lê muito. Lê jornais, revistas, livros, sobretudo livros. Quanto mais se lê, melhor se pensa; quanto melhor se pensa, melhor se escreve . Estás disposto a apagar a televisão ou o computador em nome desse objectivo?
7. A regra de ouro. Chegará o dia em que quebrar todas estas regras será quase uma questão de estilo. Quando isso acontecer, parabéns, pois terás conquistado o direito à subversão! Nunca te atrevas é a quebrar a regra número 6.
Se no capítulo passado falei sobre a fluidez em geral, falo agora sobre o que funcionou para mim, e virou LEI nas minhas obras:
1. Corte advérbios! Eles são a ressaca das aulas de português da escola, e geralmente indicam um probleminha nosso em achar um verbo melhor para colocar no lugar. Há exceções? Há, vc saberá no seu texto se o caso do seu advérbio é uma.
2. Simplifique. Se você quiser manter o leitor imerso em sua história, você precisa escrever tão simples quanto possível. Cuidado com um erro comum, que é achar que um estilo simples é pobre. Simplicidade é requinte, especialmente quando unido às palavras certas.
3. Evite escrever o que chama a atenção para si. Essa dica é o complementar à anterior. Escritas elaboradas demais chamam a atenção para si, e não para a história. Suas palavras devem soar natural. Ex.: “Um abismo de ébano reivindicou o recinto”. Será que a autora quis dizer “A sala ficou escura”? Dica: Leia cada frase em voz alta para ver se ele soa natural ou artificial. Se soar artificial, tá ruim.
4. É óbvio? CORTE. É redundante? CORTE. Quando você começar a editar, corte TUDO que já está implícito. “Ele torceu a cara, chateado por ter que repetir novamente tudo que havia dito antes.” Eu, particularmente, prefiro encurtar frases que não agregam NADA ao enredo. “Tudo que havia dito antes”, na minha opinião, serve pra pouca coisa, é uma delas é para encompridar o caminho entre o início e o fim da história. Releia; tá implícito, tá sobrando? Corte.
5. Pequenas doses de informação. Você às vezes joga um monte de informações para os seus leitores de uma só vez? Se sim, Cuidado! Dê uma olhada neste exemplo:
“Ron era o filho mimado e playboy do esnobe proprietário de uma cadeia multimilionária de lojas locais.”
Informação demais. Será que o autor queria dizer que…
Ron foi estragado
Ele era um playboy
Ele morava na mesma cidade que o seu pai.
O pai é esnobe.
E é dono de um negócio multi-milionário.
Que é um negocio local
E parte de uma cadeia de lojas.
Dica: Se você precisa de dar informação de fundo, certifique-se de fazê-lo em pequenas doses.
6. Assassine clichês. Clichês são previsíveis e barateiam sua escrita. Seja implacável.
7. Descompacte. Desenvolva apenas uma idéia por sentença, já que sentenças longas tornam a leitura arrastada. Aqui está um exemplo:
O advogado, agora que seu cliente tinha se declarado culpado, foi confrontado com o problema de esconder sua parte no ato criminoso, um erro de julgamento que, ao mesmo tempo que foi feito com a melhor das intenções, foi, todavia, uma violação do seu juramento como um advogado, uma violação que poderia concebivelmente resultar em sua acusação, e até mesmo uma pena de prisão.
So-cor-ro.
Para salvar frases assim, A) Livre-se de palavras desnecessárias.
B) Onde há uma vírgula, verifique se ela poderia ser um ponto final.
C) Onde você vê a palavra ‘que’, veja se você pode começar uma nova sentença.
D) Reformule e reformule.
Espero que tenha ajudado! Quer conferir meus livros? Dá um olhada no meu perfil. Beijos.
Fonte de algumas dessas dicas: Mary Jaksch, WritetoDone.com