Sem categoria

A Última Peça e o reencontro com o outro no “Flow”

By

Queridos e queridas,

Se vocês pararam aqui, conhecem meu livro A Última Peça ou se interessaram pelo tema “fluxo.” Imagino que seja um escritor, e como tal, curioso(a) e interessado(a) em temas afins.

Esse é o livro rosa <3

Há muito tempo falo sobre o estranho processo que resultou nesse meu livro querido, e hoje resolvi escrever melhor sobre ele. O Estado de Fluxo ainda é um mistério para muitos que escrevem, e sempre me pergunto se esse mistério pode/deve ser realmente “revelado”. O fato é que o mistério é bom para a mente criativa, e não necessita de solução alguma. Mas por outro lado, queremos entrar em fluxo, queremos nos deixar levar por essa sensação de “subir em uma esteira rolante”, como A Elisabeth Gilbert descreve no livro Grande Magia, e escrever o nosso melhor. Por esse motivo vou contar o que descobri sobre esse estado, para que você entenda o que ele permite: acessar lugares nossos que não conhecemos, e produzir material mais sábio e simbólico do que achávamos ser capazes de conseguir.

Enfim, tudo começou quando recebi essa mensagem. Uma amiga do universo literário que está querendo escrever um livro me procurou e disse isso:

Passado o momento de choque, lembrei do processo que resultou no livro, e tudo que veio depois (por causa dele). Pensei muito se eu deveria colocar o elogio rasgado que ela fez ao livro aqui, porque tenho medo de parecer pretensiosa, atrair haters, decepcionar alguém com o post. Não sou expert em escrita, e essa é a primeira informação que você deve ter em mente. Não escrevi uma obra prima ou um clássico (longe disso). E, embora procure reconhecimento, confesso que tenho medo de holofotes que podem vir por causa de um post assim.

No entanto, contudo, todavia…

… escrevi sim um livro que emociona a maioria de quem o lê. A história emociona, as palavras emocionam, a mensagem emociona, a premissa é triste, o tema é existencial (“o quanto continuamos a existir quando somos esquecidos por quem amamos?”). Salvo algumas exceções, quem lê o livro me procura pra falar que foi tocado(a) pela história – homens e mulheres. E cada vez que recebo um elogio sobre isso, tenho vontade de sentar e escrever o que acho – na verdade, que sei – ser o responsável pela mensagem ter chegado até o cerne do outro.

O cerne da questão

Não se enganem, eu já escrevi nove livros, e sei que esse toca mais gente que os outros. Por quê, você se pergunta? O que o livro de capa rosa tem que os outros não tem?

Persegui essa resposta por um bom tempo, e gostaria que soubessem disso. Depois que terminei A Última Peça, larguei por um tempo a ficção para pesquisar na psicologia o que aconteceu comigo durante aquela escrita. E pesquisei, e fui atrás, e encomendei livros de fora, e desenvolvi a partir daí, nos próximos dois anos, um curso de escrita terapêutica que trabalha com o mundo interior de quem escreve. Estava criado O Caminho Interior, e lançado no mundo sua premissa básica: escrever cura. Escrever tem a capacidade de chegar até o nosso cerne, o “rio subterrâneo” que corre dentro de mim, e segue dentro de você, e passa por cada humano do planeta. Nesse cerne estão insights poderosos sobre nós mesmos (co-responsáveis pela cura através das palavras) como também é fonte inesgotável de inspiração criativa.

Embora o Caminho Interior e o meu curso tenham seguido uma trilha própria – e se afastado da ficção e da escrita criativa -, eles compartilham a mesma origem. O que vou tentar fazer aqui é explicar o que aconteceu naquele inverno/primavera de 2015, porque ele está acontecendo agora com você, já aconteceu, ou vai acontecer. Coisas assim merecem ser compartilhadas, e essa é a visão que tive da coisa.

O momento “esteira-rolante”

Flow, ou Fluxo, de MihalyCsikszentmihaly

Talvez tenha acontecido com você, e se aconteceu, você sabe do que estou falando. Se você ainda não passou por isso, acredite: vai acontecer.

Você está lá, escrevendo seus rascunhos. Forçando-se a ir adiante, exigindo da mente um desenvolvimento, imaginando vividamente cenas na cabeça. De repente, você se sente diferente. Como se arrebatado por forças anônimas e fora do seu controle, que te arrastam em uma determinada direção. No entanto, por mais paradoxal que isso pareça, você não é uma simples marionete no processo: você está no controle de suas ações. Você se sente tremendamente bem. Inundado(a) por uma sensação de êxito, de alcance, de conquista, de agenciamento. As palavras fluem e os personagens sussurram palavras no seu ouvido. Seu plano para eles era outro, mas eles fazem que não. Venha por aqui, dizem. Confie na história que eu vou te contar.

São esses momentos inesquecíveis (que eu espero, você já tenha vivido na escrita), que Mihaly Csikszentmihaly, psicólogo Húngaro naturalizado Americano, chamou de experiência ótima. É isso que o pintor sente quando “as cores em sua tela misturam-se de maneira harmônica, atraindo-se de forma quase magnética, e algo novo, uma forma viva, começa a tomar forma em frente aos olhos de um criador espantado” ( Flow, p. 3). É isso que um escritor vivencia ao ver suas palavras rearranjarem-se no papel de tal maneira que o que surge é metade seu, metade presente do universo. Que um cirurgião experimenta durante uma cirurgia longa e exigente. Que um alpinista relata sentir, enquanto caminha rumo ao cume da montanha desejada. Esse estado não é monopólio da escrita, nem mesmo das artes; ele é um estado superior que a mente humana, quando plenamente envolvida em uma tarefa, tem a capacidade de alcançar.

Comigo essa experiência aconteceu em um dia qualquer, sem aviso prévio. Eu estava escrevendo, como sempre faço à tarde, nem um pouco preocupada com meu rendimento, só com uma história que estava desenvolvendo. Minha mente estava no texto, as mãos no teclado e olhos na tela.

Na verdade, um pouco antes eu tinha começado um projeto novo. Havia abandonado a história da Última Peça meses atrás, porque a “voz” não saía, os diálogos estavam truncados, e levar a história adiante lembrava a sensação de puxar uma carroça com rodas quadradas. Há cinco meses eu não tocava no arquivo antigo, embora sempre pensasse nos personagens e a história me fosse estranhamente triste, e eu sentia um tipo de agonia que me impelia a contá-la.

E então, naquela tarde, ela chegou.

Uma voz. Uma imagem. Uma frase. E ao mesmo tempo, nada disso. Um agrupamento de conceitos carregados de emoções e significados intrincados (como sonhos), tão vívida e intensa, tão real que eu podia jurar que havia alguém dentro da minha cabeça. E havia, mas não apenas uma pessoa. Eram as minhas duas personagens, duas vozes distintas, cheias de angústias e desejos e prontas para escreverem, elas mesmas, sua história.

Uma porta abriu e eu entrei. Se havia ruídos ao redor eles desapareceram. A sensação era de isolamento na multidão. Durante aquelas horas me senti diferente: em comunhão com a minha mente, 100% presente (até hoje sinto aquele momento e lembro das palavras que coloquei na tela). Eu fiquei maravilhada pelo mergulho no texto, nunca tinha acontecido antes. Eu me soltei das amarras do tempo e me perdi em mim.

Se uma experiência parecida aconteceu com você, tenho certeza de que você escreveu provavelmente por horas, sem ao menos se lembrar de se levantar, esticar as pernas ou fazer uma pausa para o café. Quando o projeto acabou, sei que ficou olhando por um tempo com olhos arregalados para o que você pode chamar (ainda que com as sobrancelhas apertadas de suspeita), de sua criação.

E então o estado passou. As vozes se foram. Você emergiu, puxou novamente o ar para os pulmões e voltou a ouvir o barulho da rua. Sua história tomou forma e o resultado te agradou. As metáforas e camadas estavam em todos os lugares – o resultado, na verdade, te comoveu.

O que foi que aconteceu?

Por mais que esta pareça uma experiência mística e transcendental, ela é na verdade um estado psicológico que vem ganhando bastante atenção na psicologia atual: a teoria do fluxo. Segundo Csikszentmihaly, essa teoria estabelece as bases para a compreensão de um estado mental em que predomina o foco e a completa imersão na atividade realizada – e onde, relata-se, os resultados obtidos são prodigiosos.

Quando comecei a entender que aquilo era um estado mental que eu tinha alcançado – ou seja, que ele existia e podia ser replicado – comecei a perseguir o assunto como uma stalker. Eu só queria falar sobre isso. Só queria saber disso. Eu queria mais daquilo, entendem? Parecia fácil escrever daquele jeito, parecia natural. Não era uma luta, ou uma briga com o papel. Era entrega e recebimento, as duas coisas ao mesmo tempo.

Nessas minhas buscas por esse estado, descobri um autor ganhador do Pulitzer e professor de uma Universidade na Flórida que era conhecido por lecionar uma matéria polêmica no Departamento de Letras onde trabalhava. Ele mesmo não fazia questão alguma de divulgar seu método, porque afirmava que não era um método. Era um processo. Uma ideia, e a seguia quem tinha alma artística e vontade de conhecer esse outro escritor que habitava você. No entanto, intrigados pela matéria desse professor, uma colega docente (chamada Janet Burroway) resolveu assistir suas aulas e gravar suas palestras, e no fim compilou suas ideias em um livro: “From Where You Dream: the Process of Writing Fiction,” nada mais que as aulas do autor Robert Olen Butler.

A ideia de Butler é polêmica, mas ao mesmo tempo compreensível: para ele, a arte é secundária. Não é ela, vinda da sua “genialidade,” rompendo paradigmas ou sendo escrita de maneira gloriosa que vai tocar o outro. O que conta, no fim, é a conexão emocional que você trava com o outro. Para ele, um livro só tem chances de tocar esse outro se vier do lugar que você e o outro compartilham.

Uau, eu fiquei muito animada quando li aquilo.

Lembra daquele tal “rio subterrâneo” do qual Jung falava e eu mencionei ali em cima? Pois é. É disso que se trata a ideia de Butler. O rio que percorre vastas extensões interiores e “molha os pés” de cada exemplar da raça humana é o lugar onde reencontramos o outro (sugiro familiarizarem-se com o termo inconsciente coletivo, do Jung, se tiverem interesse no assunto.  Facilita bastante entender do que se trata tudo isso).

Isso explicava uma série de coisas que notei no meu livro, assim que o terminei. Ele me lembrava vagamente um sonho. Não no sentido de uma “aspiração” ou “realização”, e sim no sentido de um amálgama de imagens que contavam de forma própria uma história.

Era o número de metáforas que ele continha, concluí. Eu uso metáforas em todos os meus outros livros, claro, mas a sensação é que no A Última Peça elas estavam em todo lugar. Da sala de Pedro, feita de vidro, às tatuagens da Bia, cada parágrafo tinha algo que podia ser interpretado de múltiplas formas. De onde saíram todas essas metáforas? Por que eu explicava tudo através de símbolos e representações? Não foi uma escolha consciente, eu garanto: foi uma escolha vinda de dentro. Desse outro escritor que se manifestou ali, dessa linguagem de sonhos que torna tudo meio críptico, e parece ter duas faces e várias interpretações possíveis.

“O inconsciente não fala a nossa língua; ele fala a língua dos sonhos.”

– Robert Olen Butler, ganhador do prêmio Pulitzer

Embora críptica e vaga, a frase acima resume o que aconteceu. Exatamente como os nossos sonhos – cujas imagens vêm carregadas de significados, de emoções veladas, de véus que torcem sua real aparência e são sempre manifestos em linguagem cifrada – a escrita que vem do inconsciente é diferente das outras. Ela desconsidera alguns fatos. Ela não quer saber do que é raso. Ela passa longe da mente e suas racionalizações analíticas. Ela tem camadas – inúmeras, milhares – e vem carregada, encharcada de emoções e imagens impregnadas de simbolismo que à primeira vista não parecem ter significado claro, mas que acertam o outro como tiros em um alvo. É uma escrita que esconde mais do que revela; que usa camadas e por isso torna a experiência rica e estranhamente confortável (e desconfortável também).

Essa é a própria definição dos sonhos que temos à noite.

Oras, mas então a Última Peça é uma obra genial?

A resposta é NÃO. Nossa, não mesmo.

Ela é um romance que, aliás, recebe algumas avaliações negativas (tem gente que odeia romance, tem gente que odeia escrita poética, tem gente que odeia meu estilo. Tem gente de todo tipo no mundo – graças a Deus!).

Mas, ao que se ela propõe ( que é contar uma história de amor que se recusa a morrer), ela faz direitinho (porque toca no centro emocional do outro). 

E o que Butler afirma é que um romance, para ser considerado bom, precisa tocar no centro emocional do outro.

E a prova de que a história tocou o outro é o número de pessoas que me procuram no particular para falar sobre ela. Dezenas e dezenas já me perguntaram se passei pelo que a Bia passou. Ou eles me escrevem para dizer que sofrem de um mal que ela tem. Se o Pedro foi tirado de algum lugar. As pessoas me mandam fotos de suas tatuagens, de símbolos que encontraram no livro, de frases que cabem em suas vidas, dos medos que compartilham, de amores que se foram, e confessam que também precisam de estruturas sólidas para dormir, sentir-se seguras, amar.

Em outro tipo de estado mental, eu não teria escrito a mesma história. Eu teria certamente alterado algo para colocar aquela frase de efeito que achei, ou adicionar uma “pimenta” no relacionamento para seguir a demanda de sexo no mercado. Eu teria imposto metas. Eu teria estabelecido cotas de palavras diárias (coisas que faço regularmente, e continuarei a fazer nos meus livros, a menos que um dia seja arrebatada novamente por esse estado, e catapultada ao rio subterrâneo outra vez.). Mas durante aquela escrita não coube nada disso: ela foi para o lado que decidiu ir, e eu só segui.

Ué, Karina: quer dizer que você nunca mais conseguiu replicar aquele estado?

Mais ou menos. Consegui em partes de outros livros, ou por uma semana e só. Mas por meses inteiros, em que todos os dias em que sentei, senti fluir mais do que conhecia – e escrevi coisas que eu sei que significavam mais do que intendia -, não. A Última Peça foi única nesse sentido.

Na época, chamei essa escrita de escrita intuitiva. Não sei se chamam assim por aí, mas é como eu a senti. Hoje gosto de falar que essa é uma escrita “que vem em estado de fluxo”, porque explica o que é, e indica um caminho para chegar lá (em breve posto mais sobre o estado de fluxo. É algo que vale a pena saber).

Enfim, minhas pesquisas me levaram a diversas explicações e caminhos. Descobri que escrever intuitivamente seguindo os sussurros de nosso interior é traduzir sonhos. Sabe aquele sonho que te faz encolher, que te comove, que pesa o peito, que enternece, que lateja no fundo da cabeça? Esse sonho traz algo antigo e profundo, algo arquetípico, um sentimento que você compartilha com a pessoa do lado – e com a pessoa do outro lado do papel. Traduzir esses sonhos não é usar palavras rebuscadas e/ou raciocínios exatos: isso é matar a mensagem. A tradução desse sonho, segundo Butler, é falar a linguagem da emoção. É mostrar que há mais ali do que mostram as palavras. É abrir os canais para o mundo sensório, porque a emoção passa pelo mundo dos sentidos. O fim dessa escrita não é agradar o ego, o público, ou vender (isso é consequência). O fim é conectar-se ao outro.

Uma outra coisa que falam sobre o Última Peça (e isso é elogio, e eu concordo) é que ele “diz muito com poucas palavras”. É verdade, esse é o meu menor livro. E o motivo disso ser bom tem duas explicações psicológicas e uma menos rebuscada. A explicação psicológica #1 é que, como ele se aproxima da linguagem dos sonhos, condensa múltiplos significados em uma só imagem (sabe a moça no sonho que você jura ser você, mas também é sua mãe, e um pedaço dela é seu cachorro? Mais ou menos isso). As cenas dão espaço para o leitor preencher o que falta com sua própria experiência. Isso torna o livro, no final, numa experiência bem pessoal.

A segunda explicação psicológica é que a existência de poucas palavras sempre força o leitor a se concentrar na leitura. Se em uma frase muitas coisas são ditas e nenhuma palavrinha sequer é desperdiçada, você, como leitor, sabe que precisa estar atento o tempo todo. Nada afugenta mais leitores que parágrafos e parágrafos que não dizem nada. O leitor começa a saltar no seu texto igual canguru, escaneando pelo que realmente importa. Sendo assim, poucas palavras (e muita informação embutida nelas) obriga o leitor a mergulhar no texto.

É aí que vem a terceira explicação, e essa é bem mais simples e prática. Eu tinha inscrito o livro (que já tinha duzentas páginas) em um concurso quando o terminei, mas o concurso pedia que a história tivesse 120 páginas, em espaçamento 1.5. Danou-se, pensei. Como faria isso? Bem, eu fiz. Peguei uma história de 200 páginas e a transformei em uma de 120. Lembro que usei até a ultima linha, mas fiz caber. Cortei palavras e mais palavras desnecessárias, cortei expressões clichês, cortei partes desinteressantes de diálogos, tirei cenas inteiras que, em comparação com as outras, eram piores. Preste atenção: não eram ruins, mas não eram as melhores. Só ficou ali dentro o que passou pelo meu crivo, só o que considerei melhor.

Ganhei o prêmio literário, e a partir dali, expandi novamente a história com outras cenas, mais diálogos, e um epílogo. A lição, no entanto, estava aprendida: não entraria mais em um livro meu nada que eu considerasse desnecessário. Cena alguma que considerasse desinteressante. Cortei sem piedade (e ainda corto) tudo que pode ser cortado. Corte, corte, corte, é a dica que dou. Tire todo o excesso e gordurinha do texto. Redundâncias, adjetivos e advérbios que não fazem o texto brilhar precisam cair fora. E quando achar que cortou o suficiente, leia em voz alta. A cada tropeço, corte de novo o que sobrou.

Todos os dias que sento na minha mesa, olho para o livro rosa em cima dela e penso se um dia vou ser visitada de novo pela “musa” (ou entrarei no estado de fluxo, ou molharei de novo os pés por um longo período de tempo no rio subterrâneo). Sei que vou, porque acesso esse estado freqüentemente nas minhas escritas pessoais e não ficcionais ( algo que virou para mim a base da escrita terapêutica, e explico no blog daqui, em mais de um post ). Sei que no campo da ficção, quando a história certa vier, serei convidada para esse mergulho outra vez. E a história certa vai chegar esmagando o coração. Trazendo ameaças de dor caso não seja contada. Vou sentir angústia pelo segredo não revelado do meu personagem, pela conversa não travada, pelos erros que eles cometeram e não consertaram. Sei que viverei a história de uma forma única, singular, e sofrerei como se aquilo estivesse acontecendo comigo. E por doer tanto no peito, passarei essa dor adiante, e ela vai ser compreendida por quem sente a mesma dor que eu, no mundo.

E no fim do dia, quando saltar da escada rolante que fazia tudo ficar mais fácil, vou ler o que escrevi e me perguntar: em que lugar de mim moravam essas palavras?

A resposta sempre vai ser: elas moram e continuarão a morar dentro de você. Elas estavam flutuando no rio, de onde todos viemos e para onde todos retornamos, todas as noites. Foi assim que aconteceu com a sua história mais marcante, não foi? Você contou a história, e nós que a lemos nos reconheceremos de outro lugar. Sua história foi como o abraço de um reencontro. A gente se conhece de longe, e ali está a prova. Nós apenas nos reencontramos outra vez.

É isso. Acho que exauri o assunto relacionado ao meu livro (ufa, enfim!). Mas tenho ainda muitos outros textos sobre o fluxo, o rio, a criatividade, os sonhos, e onde tudo isso se encontra. Aos poucos vou colocando no blog.

Obrigada por lerem até aqui! Fiquem em paz, continuem escrevendo, mergulhem no rio sempre que forem convidados. <3

Karina

You may also like